Avanço do Setor SOLAR no Brasil em destaque na mídia - Blue Sol Energia Solar

Avanço do Setor SOLAR no Brasil em destaque na mídia

Reportagem de revista do setor elétrico mostra o acentuado crescimento que o setor vem apresentando nos últimos anos, as regulamentações vigentes e o que ainda precisa ser feito.

BS na Mídia

A revista Potência divulgou recentemente uma matéria de capa dedicada ao assunto da energia fotovoltaica no Brasil. Intitulada “Futuro Promissor”, a reportagem mostra que, apesar da solar ser a fonte mais abundante no país, ela ainda é pouco aproveitada, com uma participação incipiente na matriz energética brasileira, apenas 0,0152% de acordo com a ANEEL. No entanto esse cenário vem mudando rapidamente e graças a vasta oferta dessa fonte no país, o mercado cresce de forma astronômica, estimado a movimentar R$100 bilhões até 2030. A fonte solar, por sua vez, irá representar entre 3% a 5% da matriz nacional em menos de dez anos.

Geração Centralizada e Distribuída

O crescimento da fotovoltaica acontece nos dois segmentos existentes, geração distribuída e centralizada. A segunda categoria refere-se às grandes usinas solares. Atualmente, existem 38 dessas centrais em operação no país, totalizando 22.933 quilowatts (kW) de capacidade instalada. Os leilões de energia realizados pelo governo ajudaram para alcançar esses números, porém, de acordo com especialistas do setor, ainda é preciso mais. “Houve três leilões, o que animou os investidores. Mas agora, com a crise, dependemos de novos certames para termos novas usinas”, explica Ildo Bet, diretor do grupo setorial de sistemas fotovoltaicos da ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

Leilões também são importantes para gerarem um volume de demanda atraente para os fabricantes dos equipamentos fotovoltaicos e com isso criar-se uma cadeia produtiva nacional. Também é preciso que os projetos já contratados saiam do papel e se tornem operantes. José Renato Colaferro, sócio-diretor da Blue Sol Energia Solar, foi um dos entrevistados pela reportagem. Ele observa para a diferença de volume entre a geração centralizada e distribuída, “Para que se tenha ideia, uma usina centralizada média possui 30MWp de potência instalada. Isso equivale a mais ou menos 10 mil sistemas residenciais”.

A matéria mostra como a tendência de gerar a própria energia vem crescendo no Brasil também. Colaferro credita a mudança na regulamentação do setor como crucial para esse aumento, “Apenas em 2012, com a regulamentação da ANEEL que permitiu fazer a troca de energia com a rede elétrica é que essa fonte começou a crescer”. Nessa questão, os números falam por si só. Enquanto em 2012 eram registrados apenas três sistemas de geração distribuída, em 2014 já eram 424, e em 2015 esse montante disparou para 1.748. “O crescimento foi de aproximadamente quatro vezes, se continuar nesta batida, teremos 7 mil no final de 2016”, estima Ildo Bet. Até 2024 serão aproximadamente 1,2 milhão de unidades consumidoras gerando a sua própria energia solar, de acordo com previsões do setor.

Minas Gerais é o campeão no número de sistemas instalados e Colaferro lista os motivos para esse sucesso: “Esse foi o primeiro estado que incentivou os microgeradores com a isenção da cobrança do ICMS sobre a energia gerada, o que alavancou o número de instalações, além do alto nível de radiação solar local”. As empresas que atuam nesse mercado vêm crescendo de forma equivalente. A Blue Sol foi uma dessas empresas mostradas pela matéria, sediada em Ribeirão Preto já a seis anos, em 2015 a empresa ampliou seu quadro de funcionários e viu seu faturamento ampliar cerca de 240%, para este ano as perspectivas também são positivas: “A expectativa é de que o crescimento seja cinco vezes maior”.

Queda dos Preços

A crescente popularização da tecnologia fotovoltaica também tem puxado a queda dos preços para sua instalação. Enquanto na geração centralizada a solar ainda perde para outras fontes na comparação de R$/kWh, como a eólica e hidráulica, na geração distribuída ela praticamente não tem concorrentes, devido a sua grande disponibilidade em quase todas as regiões e as altas tarifas energéticas cobradas pelas concessionárias. De acordo com Colaferro, o estado de São Paulo apresenta características que estimulam a implementação desses investimentos: “O sistema tem um excelente retorno para clientes que pagam altos valores pela energia elétrica da concessionária. Os valores de instalação para São Paulo também são um ponto a favor, uma vez que o acesso e o deslocamento são facilitados e as empresas podem diluir os custos e apresentar melhores soluções aos clientes”. Ele exemplifica esses argumentos com o cálculo de um sistema que gera 550kWh/mês, o qual pode abastecer uma casa de quatro pessoas. Tal investimento custa em torno de R$30 mil e apresenta um payback estimado de quatro a cinco anos.

Na média geral, o payback desses investimentos tem variado entre quatro a sete anos, com retorno anual entre 15% e 25%, os quais são calculados de acordo com o custo da energia (R$/kWh) e o total gerado pelo sistema. Colaferro ainda garante, “Uma tecnologia que apresenta tempo de vida variável entre 25 e 30 anos, que se paga entre o quarto e o sétimo ano e com rentabilidade acima da taxa mais atrativa no mercado, tem se mostrado, sim, um bom investimento”. As linhas de financiamento são outro atrativo para quem deseja adquirir um desses sistemas. Oferecidas por bancos públicos e privados, elas têm ajudado no aumento do número de instalações, porém precisam melhorar, de acordo com Ildo Bet, “O produto ideal seria aquele que pudesse ser pago com a economia da conta de luz que estava sendo paga. O Proger, por exemplo, teria que mudar o prazo de 72 meses para o dobro, mantendo a taxa”

Produção Nacional e Regulamentação

Órgãos do setor, como a ABINEE, vem buscando incentivos junto ao governo para fomentar a cadeia produtiva nacional. Os equipamentos fotovoltaicos já são fabricados no Brasil, porém em quantidades insuficientes para atender a demanda centralizada e com preços as vezes superiores aos importados. É preciso também assegurar a qualidade desses produtos para torná-los competitivos no mercado, o que já vem sendo feito pelo BNDES no Plano de Nacionalização Progressiva (PNP). Ildo Bet também ressalta para a importância de produzirem-se os softwares no país, os quais são o cérebro dos sistemas, “Desde os anos de 1980, o Brasil criou um corpo técnico especializado em eletrônica de potência de mais de mil doutores e mestres, e estamos aptos para este desafio”. A mão de obra capacitada também precisa aumentar e o mercado para cursos de capacitação tem visto uma demanda muito forte nos últimos anos. Colaferro fala sobre os cursos da Blue Sol, “Não raro, as pessoas que frequentam nossos cursos encontram recolocação no nosso mercado, seja atuando em empresas já estabelecidas ou se tornando empreendedores do segmento”.

As regulamentações do setor têm ajudado para sua evolução, uma dessas foi a Resolução Normativa 687 de 2015 da Aneel. Ela trouxe várias melhorias para o segmento distribuído, como a possibilidade de autoconsumo remoto, geração compartilhada entre consórcio de empresas e pessoas físicas, além do aumento do prazo para utilização dos créditos energéticos, de 36 para 60 meses. “…. Trata-se de uma grande conquista para o setor fotovoltaico e que vai ajudar na expansão dos modelos de negócio e das oportunidades de mercado”, diz Colaferro. Outro incentivo que ajudou foi o conselho criado pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) para a isenção do ICMS na geração de energia, através do qual todo estado que desejar pode optar por zerar essa cobrança, “Já são 21 estados que aderiram, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica Colaferro.

Apesar de todos esses avanços no mercado nacional, ainda há o que ser melhorado. Uma delas é o amadurecimento na regulamentação e a criação de penalidades para as distribuidoras de energia, algumas das quais tem abusado do seu monopólio para criar dificuldades em conectar os sistemas em suas redes. Outro fator é em relação à regulamentação dos equipamentos, a qual deve levar em consideração as características específicas do clima brasileiro em suas normas e padrões de qualidade. “Também neste ano o Inmetro colocará em consulta pública a revisão do RAC (Requisitos de Avaliação da Conformidade) que trata da certificação de todos os itens da cadeia fotovoltaica, sendo a novidade a inclusão dos inversores híbridos. A revisão da Resolução 482 foi muito importante e deverá dar celeridade ao processo”, diz Ildo Bet.

Fonte de informação: Revista Potência – Edição 124 – Abril/2016

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