Um bom trabalho para quem quer: Mercado de trabalho solar americano está aquecido - Blue Sol Energia Solar

Um bom trabalho para quem quer: Mercado de trabalho solar americano está aquecido

A previsão é que o setor solar americano gere 30 mil empregos em 2016, um salto de 14.7% em relação ao ano passado. Quem são os trabalhadores construindo esse novo mercado?

 

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Daniel Salvino, instalador de Sistemas Fotovoltaicos

Antwain Nelson trabalhou em diversos empregos na área de construção durante muito anos, porém o trabalho nunca lhe pareceu gratificante. Então uma oportunidade para atuar como voluntário em bairros de baixa renda o apresentou ao seu atual trabalho e, como ele mesmo diz, um claro plano de carreira.

“No primeiro dia eu já me apaixonei pelo trabalho”, diz Nelson, 25 anos, um instalador de sistemas solares fotovoltaicos e morador nato da capital americana de Washington. As pessoas com quem ele trabalha, diz ele, parecem “como outra família para mim”.

Nelson é um dos milhares de novos contratados do setor solar americano, o qual se tornou o segmento que cresce mais rápido no ramo energético. As contratações do setor solar mais que dobraram desde 2010, chegando à 209 mil empregados em Novembro de 2015, de acordo com a Fundação Solar (The Solar Foundation, em tradução livre), uma organização sem fins lucrativos que oferece pesquisas e programas educacionais para promover o mercado solar. O setor criou cerca de 35 mil desses empregos somente em 215.

Em um relatório divulgado em Novembro, a fundação prevê outros 30 mil empregos até o final de 2016, um crescimento anual de 14.7%, ou 13 vezes mais rápido que a economia em geral.

O crescimento na contratação do setor vem na medida em que os empregos na induústria do carvão caem bruscamente. Existem relatos de ex-operários fazendo a transição para novos empregos no setor solar. Mas isto pode não ser possível para todo o segmento, uma vez que os principais estados produtores de carvão não tem investido para o desenvolvimento da tecnologia solar. Estados como Wyoming, West Virginia e Kentucky sequer entraram na lista dos 35 estados que mais instalam sistemas solares nos últimos dois anos, de acordo com a GTM Research, empresa de análise de mercado.

Mão de Obra Solar Americana
Dados: The Solar Foundation, National Solar Jobs Census 2015.

O três estados com maior número de empregos do setor, da fabricação à venda, são Califórnia, Massachusetts e Nevada, de acordo com a fundação solar. Obviamente, o crescimento de empregos está acontecendo em estados que oferecem generosos abatimentos e outros incentivos pela produção e instalação de equipamentos de energia solar.

O mercado solar está crescendo largamente nas costas dos trabalhadores que levam os painéis solares aos telhados para serem agrupados e conectados juntos. Mais da metade dos empregos no setor solar americano consiste em instaladores, diz Andrea Luecke, diretora executiva da fundação solar.

A manufatura é a segunda maior categoria de emprego, o que pode parecer surpreendente dado que a maioria dos painéis solares sendo instalados nos Estados Unidos vem da China. Mas fabricação interna tem apresentado um aumento, o qual reflete a crescente demanda interna e o impacto das tarifas que a administração do governo de Obama impôs aos painéis de origem chinesa nos últimos anos. O governo introduziu essas tarifas após determinar que os fabricantes chineses estavam vendendo seus produtos à um preço abaixo do valor justo de mercado.

A maior empresa instaladora do país também está se tornando uma das principais fabricantes. A SolarCity está construindo a futura maior unidade de fabrição de painéis solares dos Estados Unidos na cidade de Buffalo, New York. A empresa espera que a nova unidade, a qual estará pronta até o final do ano, crie 1.460 novos empregos fixos. Outra fabricante com planos de expansão, a Suniva anunciou em setembro um plano para aumentar sua unidade de Norcross no estado da Georgia e criar cerca de 500 novos empregos.

“Os trabalhadores que nós entrevistamos foram muito otimistas e disseram que nós tivemos alguns anos difíceis, porém que estamos planejando em investir em nossa força de trabalho e que estamos crescendo”, diz Luecke.

Esse crescimento chegou com empregos que oferecem ótimos salários. Instaladores recebem uma média de salário de U$21 dólares por hora, de acordo com a fundação, enquanto montadores recebem em média U$18 dólares por hora. Ambos são superiores à média nacional de U$17 dólares por hora para todos os empregos.

Apesar disso, um dos maiores desafios impostos por esse novo mercado em crescimento é encontrar trabalhadores qualificados. Luecke diz que os empregadores são capazes de atrair profissionais de diversas áreas da construção e manufatura por precisarem de empregados com as mesmas habilidades básicas aprendidas em outras áreas do trabalho manual, desde trabalhadores dos campos de petróleo até construtores. Mesmo assim, cerca de 20% dos empregadores entrevistados pela fundação disseram que era muito difícil achar trabalhadores qualificados em 2015, um leve aumento em relação ao ano passado.

“O que os empregadores estão procurando é experiência, alguém que tenha subido em um telhado antes, que tenha trabalhado com equipamentos elétricos antes, tenha estado em algum tipo de equipe de construção, que consiga seguir instruções e protocolos de segurança,” ela diz.

Nelson entrou para o setor solar através de um curso de capacitação oferecido pela Sasha Bruce Youthwork, uma organização sem fins lucrativos na capital de Washington que ajuda jovens da cidade a levarem vidas mais estáveis. Em 2014, ela trouxe um grupo de voluntários para ajudar em um projeto da Grid Alternatives, sociedade sem fins lucrativos que constrói projetos de sistemas solares para famílias de baixa renda.

Após ganhar mais treinamento através de uma bolsa na Grid, ele foi promovido a um cargo fixo no time de instalação há dois meses.

“Eu sinto como se estivesse no caminho certo, e isso é bom,” diz Nelson. “Poder colocar sistemas solares no telhado das pessoas é ótimo, porque você as está ajudando a economizar dinheiro. Eu amo essa missão”

Alguns empregadores também recrutam frequentemente veteranos militares, pois sabem que uma onda deles está entrando no mercado de trabalho após a longa intervenção americana no Oriente Médio.

Um deles é Sam Gulland, o qual foi capitão do 75º batalhão Ranger no exército e serviu em duas incursões ao Afeganistão antes de deixar os militares em Dezembro. Tendo uma graduação em política pública e assunstos internacionais pela Universidade de Princeton, Gulland começou a conversar com seus amigos sobre seus planos após o serviço militar e muitos estavam interessados em energias alternativas.

“Eu acho que os veteranos são atraídos para o setor porque eles vem de um trabalho que carrega muito significado,” diz Gulland. “No geral, eu acho que essa energia limpa carrega o mesmo tipo de significado. Em algum momento, os combustíveis fósseis irão se esgotar. Também o aquecimento global, se nós não fizermos algo a respeito ele poderá matar milhões de pessoas.”

Gulland encontrou o programa Solar Ready Vets (Veteranos Prontos para a Solar, em tradução livre), do departamento de energia dos Estados Unidos, o qual apresenta veteranos à trabalhos no setor solar, e uma pesquisa o levou à Grid Alternatives, onde ele começou seu trabalho de voluntariado.

Foi assim que Gulland recentemente se viu trabalhando ao lado de Nelson na instalação de um sistema solar fotovoltaico em uma residência de Washington em Maio deste ano. Gulland ajudou a descarregar os painéis solares de uma caminhonete e os testou para assegurar que eles iriam produzir a voltagem correta antes que fossem içados para o telhado.

Gulland, que está ponderando sobre a guinada em sua carreira, se diz interessado na área de desenvolvimento de projetos solares e financiamentos. Atualmente ele é membro da Clean Energy Leadership Institute (Instituto de Liderança em Energias Limpas, em tradução livre), uma organização em Washington que ensina sobre os mercados de energia e análise de políticas.

Ainda é incerto quanto tempo essa explosão na geração de empregos irá durar, pois o setor depende muito de incentivos fiscais do governo para prosperar. O congresso americano recentemente extendeu o prazo de uma importante dedução fiscal por mais cinco anos, um lance que provê garantia de curto prazo aos empregadores do setor.

Porém a política é tão instável quanto a economia, e não há garantias. A SolarCity e sua principal concorrente, a Sunrun, recentemente congelaram suas atividades em Nevada após o estado aumentar a tributação para residentes que desejam instalar os sistemas solares em suas casas.

Luecke prevê a estabilização na geração de empregos do setor durante os próximos 10 a 20 anos, devido em parte ao fato de que as empresas de instalação e fabricantes se tornarão mais eficientes em manter os custos baixos na medida em que ganham mais experiência no mercado. Enquanto isso, ainda há muitas oportunidades de crescimento, ela diz, pois a energia solar corresponde apenas a 1% do mercado energético americano.

“Nossas taxas de crescimento são altas porque estamos começando a partir de uma base pequena,” ela observa. “Nós iremos nos tornar mais automatizados, utilizando mais tecnologia de ponta e robótica na fabricação. O crescimento então será bem mais moderado.”

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