Usinas Solares Flutuantes são uma vantajosa solução energética para os lagos americanos atingidos pela estiagem - Blue Sol Energia Solar

Usinas Solares Flutuantes são uma vantajosa solução energética para os lagos americanos atingidos pela estiagem

O ensolarado sudoeste americano é um local privilegiado para a instalação de sistemas fotovoltaicos flutuantes, onde podem produzir energia limpa e prevenir a evaporação de grandes reservatórios, conforme reportagem do site Environment 360.

Maior sistema solar fotovoltaico flutuante da Europa, no reservatório Rainha Elizabeth II , em Londres . Fotografia: Martin Godwin para o Guardian
Maior sistema solar fotovoltaico flutuante da Europa, no reservatório Rainha Elizabeth II , em Londres . Fotografia: Martin Godwin para o Guardian

Dois dos maiores reservatórios do rio Colorado estão em recesso, os lagos Mead e Powell. Extensos períodos de estiagem e o uso indiscriminado também foram responsáveis por isso, porém grande quantidade de água foi perdida por causa da evaporação.

E se o mesmo sol escaldante que causa essa perda de água fosse utilizado para gerar energia elétrica? A instalação de sistemas fotovoltaicos flutuantes, as vezes chamados de “Flutuvoltaicas” (Floatvoltaics, em tradução livre) em partes desses reservatórios do sudoeste americano poderia produzir energia limpa renovável ao mesmo tempo proteger vastas extensões de água do sol quente do deserto.

Os benefícios energéticos e ambientais desses sistemas já têm começado a garantir à tecnologia um espaço no mercado de energia limpa, com projetos de sistemas sendo construídos em lugares variados como Austrália, Brasil, China, Inglaterra, Índia, Japão, Coréia do Sul e Califórnia. E em nenhum lugar eles podem se provar mais eficazes que nos lagos Mead e Powell, os dois maiores reservatórios construídos dos EUA.

A Agência de preservação dos Estados Unidos estima que 1 bilhão de metros cúbicos de água, quase 6% da corrente do rio Colorado, é evaporada da superfície do lago Mead durante o ano pelo sol forte. As perdas do lago Powell estão entre 1,06 bilhões de metros cúbicos, por evaporação e infiltração no lençol. Como os sistemas flutuantes podem reduzir a evaporação em climas secos em até 90%, cobrir partes desses dois corpos d’agua com painéis solares pode resultar em significantes economias de água.

Se enxergarmos o potencial de espaço para a instalação dessas usinas solares flutuantes, a quantidade de energia gerada com apenas uma fração desses lagos pode ser gigantesca. Se 6% da superfície do lago Mead fosse utilizada para sistemas solares, a produção seria pelo menos de 3.400MW de energia elétrica, quantidade substancialmente maior que a capacidade da represa Hoover, que é de 2.074MW.

Essa infusão solar pode dar ao grande consumidor sudoeste um grande impulso em eletricidade renovável, e ao menos parte dessa energia pode ser levada pelas linhas de transmissão pouco usadas da represa Hoover.

Um ponto crucial na venda dos sistemas flutuantes é a potência extra que eles podem entregar em comparação aos sistemas terrestres em climas semelhantes. Ao flutuarem logo acima das águas sombreadas dos reservatórios, os painéis fotovoltaicos podem operar a temperaturas mais frias que as placas no terreno desértico – um fator crucial na melhora da produção dos semicondutores, incluindo as células fotovoltaicas. Uma proponente de um projeto espera um aumento de 50% em eletricidade por watt de energia instalada dos painéis solares de sua fábrica a serem instalados em um tanque de tratamento de esgoto com grande exposição solar em Jamestown, Sul da Austrália.

Em Nevada, Arizona e Utah, regiões próximas aos lagos Mead e Powell, aqueles que desfrutam seus hobbies aquáticos nesses locais podem não gostar inicialmente da ideia de painéis solares competindo por espaço com o seu local de lazer. No entanto, com a retração das praias e marinas encalhadas, os benefícios de reduzir a perda d’agua estão se tornando claros. Além disso, em uma época em que especialistas e conservacionistas estão propondo que o lago Powell deveria ser parcialmente drenado para restaurar o Glen Canyon e salvar o lago Mead, que está quase 360 milhas rio abaixo, a utilização de algumas áreas desses lagos para a construção de sistemas solares representa uma alternativa mais inteligente.

O Japão foi o pioneiro na utilização de sistemas flutuantes. Começando modestamente, apenas com painéis suficientes em dois reservatórios na província de Hyogo para atender à necessidade energética de aproximadamente 920 casas. Agora estão expandindo. Em uma represa na província Chinesa, uma usina prevista para ser inaugurada em 2018 irá gerar energia suficiente para quase 5.000 casas. No clima levemente moderado do Japão, evitar a evaporação pode não ser tão necessário quanto no sudoeste da américa. Mas explorar a energia solar sem a necessidade de grandes extensões terrestres tem seus méritos em um país pequeno e densamente populoso que está à procura de fontes alternativas de energia.

Sistemas solares flutuantes também estão sendo instalados em reservatórios na Amazônia brasileira. Quase 2.360 km² de floresta tropical foram inundadas várias décadas atrás quando o regime militar brasileiro construiu a usina hidrelétrica de Balbina, afogando milhões de árvores e destruindo povoados indígenas e áreas de caças. Hoje, devido as secas persistentes e ao pouco fluxo da corrente que alimenta o reservatório de Balbina, a usina opera somente com um quinto da sua capacidade.

Em breve, no entanto, uma vasta rede desses sistemas flutuantes pode redimir essa obra hidrelétrica. Em sua fase piloto, uma instalação de 5 megawatts irá cobrir uma área equivalente a cinco campos de futebol e irá gerar energia suficiente para aproximadamente 9.000 casas. Posteriormente, se tudo correr bem, os engenheiros esperam construir um enorme projeto de 300 megawatts que irá produzir eletricidade suficiente para quase 540.000 casas brasileiras.

A lista de projetos flutuantes em operação ou planejados continua. Na Índia, uma instalação em escala piloto foi testada com sucesso em um lago nos arredores de Kolkata, e desenvolvedores estão negociando usinas solares flutuantes bem maiores em lagos do estado de Kerala. No condado de Sonoma na Califórnia, tanques de tratamento de esgoto estão agora equipados com painéis fotovoltaicos flutuantes. E no Reino Unido, a mais larga instalação solar flutuante da Europa está quase pronta na represa Queen Elizabeth II perto de Londres. Outra está sendo construída perto de Manchester. Lá, assim como no Japão, o uso eficiente de terras disponíveis é um fator extremamente relevante.

Apesar do sudoeste americano ser bem menos limitado de terra firme que o Reino Unido, o deserto está se tornando um problema constante conforme os desenvolvedores solares buscam terras propícias para seus projetos de utilidade pública. A proteção das tartarugas do deserto tem sido uma das principais preocupações em alguns pontos, incluindo duas usinas fotovoltaicas na terra indígena de Moapa Paiute no sudeste de Nevada, a apenas alguns kilômetros do lago Mead. Na Califórnia, porta vozes das energias renováveis e conservacionistas tem tido sérias desavenças quanto aos planos de instalação de largos parques solares em áreas do deserto e áreas adjacentes em sete países.

Plataformas solares flutuantes em represas como o lago Mead e Powell não irão substituir a necessidade de usinas solares em terra na Califórnia e outras partes do Sudoeste, mas elas podem aliviar algumas das pressões nos frágeis ecossistemas do deserto.

Conforme nos confrontamos com os crescentes impactos do aquecimento global, manter um equilíbrio viável entre a demanda e o suprimento de água em climas mais quentes será um desafio especial. No Sudoeste ensolarado, reduzir as perdas de água pela evaporação deve ser parte de uma ampla estratégia de conservação. Fazendas solares flutuantes tem um papel a desempenhar, reduzindo o desperdício de água ao mesmo tempo em que produzem energia neutra em carbono.

Fonte: https://www.theguardian.com/environment/2016/jun/30/floating-solar-is-a-win-win-energy-solution-for-drought-stricken-us-lakes

Tradução: Ruy Fontes

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